Peça estimula reflexão sobre influência da repressão nos dias de hoje

Em cartaz em São Paulo até 10 de abril, a peça Torquemada – 17 balas mergulha no período do regime militar para discutir a influência da repressão na ação do Estado ainda nos dias de hoje. O espetáculo é uma parceria entre o Ministério da Justiça, através do projeto Marcas da Memória, da ONG Mudança de Cena e do GTO da Garoa.

Torquemada resgata a prisão e a tortura sofrida em 1971 por Augusto Boal, criador do teatro do oprimido. A partir deste episódio, os personagens avançam no tempo para retratar a opressão policial vivida por dois jovens de periferia no tempo presente. Ao final da encenação, a plateia é convidada a um debate sobre as situações vividas no palco e as formas de se evitar os episódios de violência pelos quais os jovens são submetidos em cena.

A diretora de Torquemada, Kelly diBertolli, acredita que o valor do espetáculo está em utilizar o teatro como ferramenta social. “Várias histórias que estão na peça são reais. Se os jovens tiverem consciência delas, talvez elas não se repitam”, disse Kelly ao Blog do Ministério da Justiça (no topo).

Segundo a coordenadora da ONG Mudança de Cena, Yara Toscano, além da encenação da peça, o projeto “Torquemada: Resgatando Memórias da Opressão do Passado ao Presente” inclui outras atividades como oficina do teatro do oprimido e a realização de rodas de conversa baseadas nas contribuições feitas pela plateia durante a temporada.

Além da cidade de São Paulo, onde está em cartaz no Teatro Coletivo, a peça viajará para outras seis cidades paulistas antes de seguir para as capitais do Rio de Janeiro, Minas Gerais e do Espírito Santo, além do Distrito Federal.

Na cidade de São Paulo, as apresentações acontecem nos dias 31 de março, 1, 2, 3, 7, 8, 9 e 10 de abril, com início às 20h nas segundas e terças, e às 17h aos sábados e domingos. O Teatro Coletivo fica na rua da Consolação, 1623. A entrada é franca e a classificação restrita a maiores de 12 anos.

 

Classificação indicativa: direito à liberdade e proteção de crianças e adolescentes

Em artigo publicado nesta sexta-feira (30/3) no jornal Folha de S. Paulo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, tratam da importância da classificação indicativa. Abaixo, a íntegra do texto.

“Não se engane, tem coisas que o seu filho não está preparado para ver”.

Eis o mote da campanha que a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça lança, em parceria com os meios de comunicação e as entidades de proteção das crianças e adolescentes. O objetivo é conscientizar sobre a importância da classificação indicativa.

Com a redemocratização, esta importante conquista da sociedade foi concebida na Constituinte para substituir e se opor ao entulho ditatorial da antiga Divisão de Censura. Ela foi regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e recebeu muitos aperfeiçoamentos nos últimos anos.

Ela atua na mediação entre dois valores fundamentais para uma sociedade democrática: o direito à liberdade e o dever-poder de proteção dos direitos humanos das crianças. A educação no Brasil, em sentido amplo, é dever do Estado e da família. Ela é promovida e incentivada com a colaboração da sociedade.

Daí que os órgãos do Estado democrático são instados a atuar para que as liberdades de expressão (dos artistas e roteiristas) e de exibição (das empresas de rádio, cinema, teatro e televisão) estejam aliadas à preservação dos direitos dos pais em decidir sobre a educação de seus filhos -e aos direitos próprios das crianças e adolescentes de serem protegidos em uma fase vital de seu desenvolvimento biopsicosocial.

O que está em jogo é o pleno desenvolvimento das próximas gerações e seu preparo para o exercício da cidadania.

Em nosso modelo, são as emissoras que se autoclassificam, segundo três conteúdos temáticos: drogas, violência e sexo.

Os critérios se distanciam das subjetividades governamentais, pois são fixados previamente e construídos socialmente a partir de consultas públicas e estudos especializados sobre o comportamento das crianças e sua tendência de imitar aquilo que assistem.

Um elemento estruturante da política é que, respeitada a gradação da faixa horária protetiva das 6h às 23h, tudo pode ser exibido.

A supervisão coercitiva do Estado é limitada e não admite censuras, vetos ou cortes de conteúdos, sejam prévios ou posteriores.

Os números demonstram o seu sucesso: de um total de 5.600 obras, somente em 48 casos ocorreu reclassificação em 2011. A eficácia se explica pela concepção de se promover concomitantemente o máximo de exercício de liberdade e o máximo de direito à proteção. Os direitos são restringidos de modo mínimo, apenas naquilo que é adequado, necessário e proporcional à garantia de um equilíbrio que não lesione os seus conteúdos essenciais.

Entre um modelo ultraliberal, sem notícias no mundo ocidental, no qual tudo poderia ser exibido em qualquer horário e a responsabilidade pela formação dos jovens estaria terceirizada ao mercado, e um outro tipo radicalmente oposto, em que o Estado é onipresente e realiza controle prévio sobre conteúdos (como, a propósito, ocorre em muitas democracias ocidentais), o Brasil concebeu um modelo social, elogiado internacionalmente, cuja grande virtude reside na ideia de justo meio.

Esta campanha remete ao propósito social da classificação indicativa: o de ser um instrumento da liberdade, compreendido como uma condição de possibilidade para que os pais e mães consigam dar efetividade às suas escolhas, precaver danos e planejar cada vez mais seu tempo de convivência com a família.

Trata-se de um instituto a serviço da construção de um ambiente social saudável, condizente com os grandes desafios do desenvolvimento do Brasil, no presente e no futuro.

JOSÉ EDUARDO CARDOZO, 52, é ministro da Justiça
PAULO ABRÃO, 36, é secretário nacional de Justiça

Artigo publicado em 30 de março de 2012 no jornal Folha de São Paulo.

Investimento em defensorias públicas vai melhorar atendimento à população

Após o anúncio da liberação de R$ 300 milhões para modernizar a estrutura das defensorias públicas dos estados, a partir de acordo de cooperação firmado entre Ministério da Justiça e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a presidente do Conselho Nacional dos Defensores Gerais (Condege), Andréa Tonet, falou ao Blog do Ministério da Justiça sobre a iniciativa.


O próximo passo, segundo a presidente do Condege, é estabelecer unidade na estruturação dos projetos em todos os estados para investimento nas defensorias. Um exemplo de iniciativa que poderá ser criada é a utilização do 129, que é o número nacional da Defensoria Pública, para que o cidadão marque por telefone a data do seu atendimento.

De acordo com Andrea Tonet, os recursos serão destinados a investimentos para melhorar o atendimento à população. “Queremos projetos definitivos de atendimento e de informática que façam com que o público seja melhor atendido”.

 

Governo quer punição para motorista embriagado mesmo sem bafômetro

Diante da recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de não admitir provas distintas do bafômetro ou do exame de sangue para condenar motorista que dirige embriagado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu mudanças urgentes na Lei Seca. “Queremos coibir com muito vigor o ato de irresponsabilidade de beber e dirigir e, se queremos uma sanção penal, precisamos mudar a lei”, afirmou o ministro em entrevista que você confere abaixo:


Cardozo explica que a intenção do governo federal é fazer alterações, sem mudar o espírito da lei. “O objetivo é permitir que uma pessoa em visível estado de embriaguez possa ser condenada também por outros meios de provas admitidos em direito, como testemunha, vídeo, entre outros”.

Para a alteração legislativa, o governo federal tem dialogado com o Congresso Nacional desde o fim do ano passado. A ideia, disse o ministro, é trabalhar em projetos de lei já em curso para que as mudanças possam ser aprovadas o mais rápido possível.

Em coletiva na manhã desta quinta-feira (29/3) o ministro José Eduardo Cardozo também tratou do tema. O áudio você acessa aqui.

 

Câmara dos Deputados começa a analisar Marco Civil da Internet

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que vai analisar o projeto de lei do Marco Civil da Internet (PL 2.125/2011) foi instalada nesta quarta-feira (28/4). O projeto de lei estabelece direitos e responsabilidades de usuários, provedores e do poder público no uso da Internet. A proposta foi elaborada em conjunto com a sociedade, a partir de debates realizados pelo Ministério da Justiça por meio da própria Internet. Ao longo do processo, foram recebidos mais de 2,3 mil comentários que resultaram no texto legislativo enviada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional em 2011.

No vídeo, o relator do projeto, Alessandro Molon, fala do percurso que a proposta vai percorrer na Câmara e no Senado para que vire efetivamente lei no país.

Alagoas recebe com entusiasmo programa “Crack, é possível vencer”

Com o teatro do Centro Cultural Ruth Cardoso lotado, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela e o prefeito da capital, Cícero Almeida, confirmaram a adesão do estado e da prefeitura ao programa Crack, é Possível Vencer. Mais de 1,2 mil pessoas, entre elas homens e mulheres que vivenciaram a dependência química da droga, prestigiaram a cerimônia e surpreenderam as autoridades com uma participação empolgante durante os discursos e as apresentações de um grupo coral. Com essa adesão, Alagoas deve receber mais de R$ 37 milhões em recursos do governo federal.

Presentes à cerimônia, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde) deixaram o teatro otimistas com o sucesso do programa no estado. “Saímos de Alagoas com a certeza de que o estado está à altura do desafio que nos espera”, afirmou Cardozo.

“Se alguém tem dúvida de que é possível vencer o crack, essa dúvida desaparece perante essa platéia”, ressaltou o ministro da Saúde, referindo-se ao grande número de pessoas em recuperação ali presentes. Padilha elogiou o trabalho, muitas vezes voluntário, de profissionais que auxiliam na recuperação de dependentes químicos e afirmou que ninguém vence o crack sozinho e que a parceria é o melhor caminho.

José Eduardo Cardozo ressaltou ainda a necessidade de se diferenciar o usuário de drogas e o dependente químico do traficante, que pertence a organizações criminosas. “O dependente e o usuário merecem tratamento de saúde e políticas de reinserção social. É errado pensar que cadeia resolve a questão das drogas”, declarou o ministro da Justiça.

Ao fim da cerimônia, o Blog do Ministério da Justiça ouviu Maria do Socorro Ferreira (no topo), dentista do Projeto Acolhe. “Quando eu passei a integrar o projeto, não tínhamos apoio nem verba, tínhamos de fazer o projeto ser visionado pelo governo do estado. Hoje fico feliz com esse resultado”, declarou. O Blog também conversou com Marcio de Freitas, que já foi dependente químico do crack, e com sua mãe Dilva Vitalina. Os dois apresentam duas perspectivas da relação com a droga e sugerem caminhos para superá-la.

 

Para enfrentar o crack em Alagoas, programa investe em segurança e inteligência

No eixo segurança, o programa “Crack é possível vencer” intensifica as ações de inteligência e de investigação para identificar e prender traficantes, além de desarticular organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas ilícitas, incluindo operações nas fronteiras.

Serão investidos no estado R$ 3,6 milhões para implantação de policiamento de proximidade nas áreas de alta concentração de uso de crack e outras drogas, além da compra de duas bases móveis com videomonitoramento, dois veículos, quatro motocicletas de apoio a essas bases e 400 armas de menor potencial ofensivo.

“Crack, é possível vencer” destina R$ 28 milhões para ações de saúde em Alagoas

Em Alagoas, o eixo saúde do programa “Crack, é possível vencer” prevê investimentos de R$ 28,8 milhões nos próximos três anos. A verba será utilizada na construção de um novo Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPSad) e na ampliação do atendimento de outros dois. Também serão abertos 42 novos leitos em enfermarias especializadas, nove Unidades de Acolhimento, sendo seis adultos e três infantis; e quatro Consultórios nas Ruas.

O ministro Alexandre Padilha anunciou o investimento de R$ 5,1 milhões para ações de atendimento aos usuários de crack em 2012 (já incluídos no valor total). R$ 531,4 mil já serão utilizados para que esses quatro novos Consultórios nas Ruas estejam em funcionamento ainda este ano – dois deles até maio e os demais até dezembro. Também servirá para habilitação de um CAPS AD 24 horas, em Maceió, até maio e para construção de um novo até o fim do segundo semestre.

A meta é colocar em atividade as quatro Unidades de Acolhimento até julho, sendo três para atendimento a adultos e uma destinada ao público infantil. O estado também terá, até julho, oito leitos em enfermarias especializadas no hospital Estadual em Rio Largo, na Região Metropolitana de Alagoas.

O MDS irá reforçar a oferta de serviços socioassistenciais, que serão integrados com a rede de saúde, nos casos em que, além do uso de drogas, houver situação de vulnerabilidade social.