O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira,13/11, em São Paulo, que é preciso superar as diferenças políticas para lidar com a violência e as organizações criminosas. “É nosso dever superar as diferenças políticas”, disse.
Cardozo citou a ausência de pactuação entre Unidades da Federação e União e afirmou que questões corporativas emperram muitas ações. “A Polícia Civil não dialoga com a Polícia Militar, que não dialoga com a Polícia Federal, que não dialoga com Ministério Público etc. Posturas corporativas são corretas até certo ponto, mas a integração é palavra-chave”, comentou o ministro.
Sinesp fornecerá dados precisos - O ministro Cardozo ressaltou que os dados sobre violência são absolutamente insuficientes. “Os Estados não repassam dados e as metodologias são completamente diferentes de uma Unidade da Federação para outra”, informou. Ele citou como exemplo casos em que uma Secretaria de Segurança Pública registra um corpo encontrado com um tiro na cabeça como “encontro de cadáver” e não homicídio. “Quando isso ocorre, a taxa de homicídios cai”, afirmou, lembrando que isso leva a percepção equivocada da situação da violência.
A falta da padronização dos dados, informou o ministro, levou à criação do Sistema Nacional de Estatísticas de Segurança Pública e Justiça Criminal (Sinesp), que obrigará as Unidades da Federação a fornecer dados no mesmo padrão. “A Unidade da Federação que não passar os dados não receberá verbas federais, pouco importando se é daquele ou de outro partido político. Eu não irei usufruir desta base de dados, mas meus sucessores saberão onde, como e em que locais os crimes ocorrem, o que não ocorre hoje”, pontuou.
O Sinesp foi desenvolvido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ). Foram elaborados relatórios a partir de análise da base de dados desse sistema e outras bases de dados, como a do Ministério da Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de pesquisadores da área de segurança pública.
“Nosso objetivo é gerar um anuário estatístico que levante diferentes temas da área de segurança pública e não fique restrito apenas à mensurar a incidência de registros de ocorrências e os recursos das organizações de segurança pública”, disse o ministro.
Cardozo avalia que é preciso dar destaque à questão da vitimização, tanto de cidadãos quanto de empresas e de estabelecimentos comerciais, à questão da presença de armas na sociedade civil, à relação entre a sociedade e as organizações de segurança pública, ao fluxo do sistema de justiça criminal e aspectos relacionados à prevenção da criminalidade e da violência.
Outro destaque do ministro da Justiça como iniciativa para este ano é a produção de um diagnóstico dos projetos assinados pelos Estados e o Distrito Federal em convênios com a Senasp/MJ. “Nesse diagnóstico, buscaremos identificar como foi o investimento da Senasp nos Estados e no DF como se processou o encaminhamento dos projetos, tanto no aspecto financeiro como de conteúdo”, explicou.
Indicadores de pesquisas e relatórios produzidos pelo Ministério da Justiça: Gasta-se mal e falta gestão na área de segurança pública:
“Gasta-se mal. Ouso afirmar isso com muito clareza. Me perguntam: quanto (de recursos) o governo federal vai repassar? Eu digo: não é só dinheiro, é padrão de gestão. Quantas vezes uma Unidade da Federação pede helicópteros, mas não tem piloto para pilotar”, coloca o ministro da Justiça.
Fronteiras - De acordo com a explicação do ministro Cardozo, foram adquiridos equipamentos para fiscalização nas regiões fronteiriças. “Melhoramos e muito a fiscalização das fronteiras, mas nenhum país do mundo resolveu até hoje essa questão. Isso, no entanto, não nos desobriga a manter o trabalho permanente que vem sendo feito.
A PF tem adidos nas representações diplomáticas em quase todos os países da América do Sul e da Europa. “É mais fácil combater a entrada da droga, do contrabando, do que trabalhar somente na fronteira”, avalia o ministro. Ele citou como exemplo de trabalho feito no país de origem da droga, a destruição de plantação de maconha no Paraguai e de pasta de cocaína no Peru. Essas ações contaram com participação ativa da inteligência da PF e do trabalho de integração com países do Mercosul.
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