A Comissão de Anistia decidirá pela primeira vez sobre um caso de agente duplo (que atuou para o regime militar e alega ter atuado na resistência à ditadura) a solicitar anistia e reparação econômica ao Estado. A sessão de julgamento do caso de José Anselmo dos Santos, conhecido como “Cabo Anselmo”, será às 13h desta terça-feira (22/5), no auditório Tancredo Neves, do Ministério da Justiça.
Anselmo alega ter integrado o movimento de resistência à ditadura nos anos 1960 e que, após ter sido cooptado pelo regime militar na década de 1970, veio a atuar como colaborador do aparelho repressivo. Há registros de que informações fornecidas por ele contribuíram para a morte de mais de 200 opositores do regime.
Em 2004, Anselmo protocolou pedido de anistia no Ministério da Justiça, alegando que antes de colaborar com o regime teria sido perseguido, preso e exilado. Ele requer à Comissão de Anistia reparação no valor de R$ 100 mil.
Para esclarecer os fatos sobre a atuação do Anselmo, além de contar com as declarações do próprio requerente e de seu procurador, a Comissão de Anistia reuniu mais de 4 mil documentos, muito deles ainda inéditos, compondo o acervo mais completo que há no país sobre o caso.
A turma é composta por 12 conselheiros, incluindo o secretário Nacional de Justiça e presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, e os vice-presidentes Egmar Oliveira e Sueli Bellato.
O julgamento histórico terá importante função de efetivação do Direito à Memória e à Verdade, podendo também contribuir para o trabalho da Comissão da Verdade, instalada no dia 16 de maio, para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988. Após a decisão final sobre o caso, se não houver recurso, o processo será remetido ao Ministro da Justiça.
